Ofereça-se uma forca a Deus,
Pois a esperança dele no moderno morreu...
Pendura-se o Criador pela corda,
Deus está morto!
Deus partiu para a vida eterna!
Aleluia...
Choram os religiosos,
Os humanos,
Aqueles que se entristecem pela morte do líder...
As lágrimas dos crentes,
Que inundam as páginas do livro,
Distorcem toda a História das preces...
Apagou-se a vinda do divino!
Acabou tudo o que é sagrado,
Notando-se que chovem anjos do Céu,
E que demónios regressam mortos à superfície.
Outros alegram-se,
Livres da escravidão,
Escravidão das escrituras do tirano,
Que se ocupava de tudo
Para razão de vida,
Sendo a essência do Homem
Nada mais que servidão...
Estão livres os escravos da teologia!
Deus e o bem morrem,
Em praça pública,
Dois enforcados num só...
Porque o bom senso dos antigos
Já merecia abandonar a humanidade.
Aleluia para a estupidez!
Aleluia para a futilidade!
Aleluia para o absurdo!
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018
domingo, 14 de janeiro de 2018
Caixa
I - Caixa
Numa caixa,
Fechado, simplesmente existindo…
Vejo-me um ser que nada é,
Mas consegue ser, de uma forma,
Ou de outra forma,
Não interessa, está escuro…
Não me vejo.
Não me vejo, então não existo,
Porque está escuro na caixa,
Porque sou, talvez, apenas esta espaçosa caixa,
Que me sufoca com claustrofobia…
Aqui não sou nada,
Simplesmente nada…
Como digo,
Para mais ninguém que eu mesmo…
Não há mais que o presente,
Não mais existe que a caixa
II - Tempo
Anos passam,
Passam lentamente,
Rodeados e preenchidos de pensamentos,
Instintos e sentimentos.
Tudo aquilo que faz um humano,
Trancado no inferno de uma solitária caixa.
Não sei porque não morro,
Não sei porque não me mataram,
Não sei até porque não me matei a mim, ainda.
É humano, o amor à vida,
É o que suponho,
Nesta mísera vida de caixa.
Cresci, neste tempo,
Incansável, sofro, sem entender o que se passa.
Crueldade da vida que aqui me pôs!
Ódio da criação de quem vive esperando a morte,
Num mundo em que não há nada,
Não, nada!
Nada que não seja aprisionada existência
III – Visão
Visão incrédula do masoquismo,
Abre-se lentamente a caixa!
Estou livre! E para lá corro,
Corro, corro, corro… Para a saída, para o mundo…
Para que acorde e perceba a ilusão,
Em que o sonho da abertura da caixa,
É tão fútil como o da razão para viver assim.
Sofro mais tempo,
Sejam dias, semanas, meses ou anos,
Fico e, assim, sofro nesta caixa,
Sem nunca saber mundo fora da amaldiçoada caixa...
É inútil pensar na saída de algo assim,
Por isso, tenho, perpetuamente, pensamentos e sentimentos.
Ah, qual a razão da minha vida?
Maior miséria eterna de estar.
Estar, existir…. Apenas isso conduz o humano à loucura.
Fico na caixa, esperando esperança.
Esperando esperança e respostas…
Obtenho apenas agonia!
IV – Fim da Vida
É aquilo que se acha um triste dia,
E morrem ossos contra as paredes da jaula,
Fechada e tímida no respeito à vida,
Sagrado inferno,
Em que me banho de desejo de morrer!
Chega da caixa que me limita tudo…
Desisto,
Em credos de existência,
Trago um final ao fim de tudo o que sou.
Contra as paredes!
Contra tudo, e contra o mundo!
Morrerei aqui, com embates violentos no metal,
Fraturando euforicamente o meu ser!
Nem a morte consigo,
Estendido no chão, sem perder os sentidos,
Além do sentido da vida, que perdi há muito,
Essencialmente, assim fico,
Como se morto, como sempre fui…
Desisti, agora fico imóvel…
E oiço o real ranger da porta abrindo.
Numa caixa,
Fechado, simplesmente existindo…
Vejo-me um ser que nada é,
Mas consegue ser, de uma forma,
Ou de outra forma,
Não interessa, está escuro…
Não me vejo.
Não me vejo, então não existo,
Porque está escuro na caixa,
Porque sou, talvez, apenas esta espaçosa caixa,
Que me sufoca com claustrofobia…
Aqui não sou nada,
Simplesmente nada…
Como digo,
Para mais ninguém que eu mesmo…
Não há mais que o presente,
Não mais existe que a caixa
II - Tempo
Anos passam,
Passam lentamente,
Rodeados e preenchidos de pensamentos,
Instintos e sentimentos.
Tudo aquilo que faz um humano,
Trancado no inferno de uma solitária caixa.
Não sei porque não morro,
Não sei porque não me mataram,
Não sei até porque não me matei a mim, ainda.
É humano, o amor à vida,
É o que suponho,
Nesta mísera vida de caixa.
Cresci, neste tempo,
Incansável, sofro, sem entender o que se passa.
Crueldade da vida que aqui me pôs!
Ódio da criação de quem vive esperando a morte,
Num mundo em que não há nada,
Não, nada!
Nada que não seja aprisionada existência
III – Visão
Visão incrédula do masoquismo,
Abre-se lentamente a caixa!
Estou livre! E para lá corro,
Corro, corro, corro… Para a saída, para o mundo…
Para que acorde e perceba a ilusão,
Em que o sonho da abertura da caixa,
É tão fútil como o da razão para viver assim.
Sofro mais tempo,
Sejam dias, semanas, meses ou anos,
Fico e, assim, sofro nesta caixa,
Sem nunca saber mundo fora da amaldiçoada caixa...
É inútil pensar na saída de algo assim,
Por isso, tenho, perpetuamente, pensamentos e sentimentos.
Ah, qual a razão da minha vida?
Maior miséria eterna de estar.
Estar, existir…. Apenas isso conduz o humano à loucura.
Fico na caixa, esperando esperança.
Esperando esperança e respostas…
Obtenho apenas agonia!
IV – Fim da Vida
É aquilo que se acha um triste dia,
E morrem ossos contra as paredes da jaula,
Fechada e tímida no respeito à vida,
Sagrado inferno,
Em que me banho de desejo de morrer!
Chega da caixa que me limita tudo…
Desisto,
Em credos de existência,
Trago um final ao fim de tudo o que sou.
Contra as paredes!
Contra tudo, e contra o mundo!
Morrerei aqui, com embates violentos no metal,
Fraturando euforicamente o meu ser!
Nem a morte consigo,
Estendido no chão, sem perder os sentidos,
Além do sentido da vida, que perdi há muito,
Essencialmente, assim fico,
Como se morto, como sempre fui…
Desisti, agora fico imóvel…
E oiço o real ranger da porta abrindo.
CIDADE - Raquel Ferraz
"É a luz dos letreiros que chamusca os insectos
imprudentes
O cinzento sombrio dos prédios do bairro, a churrasqueira, o costumeiro café e o bar de karaoke
Os rostos amarelados do café e do tabaco, café para despertar, tabaco para adormecer
A luz dos postes que encandeia os fatigados madrugadores e os insistentes semáforos autoritários
O pó conforta os carros e os velhos e sujos autocarros que mal cumprem os horários
Os jovens trabalhadores e as suas mochilas que alpinam.
O timbre resiliente e cansado da ponte que todos os dias sustenta os stresses e afazeres da gente.
É dia dos deveres laborais, académicos, procrastinar. Dia de viver, dia de morrer, viver para mais um dia, nascer para o mundo, viajar em nós ou partir para nunca mais voltar."
O cinzento sombrio dos prédios do bairro, a churrasqueira, o costumeiro café e o bar de karaoke
Os rostos amarelados do café e do tabaco, café para despertar, tabaco para adormecer
A luz dos postes que encandeia os fatigados madrugadores e os insistentes semáforos autoritários
O pó conforta os carros e os velhos e sujos autocarros que mal cumprem os horários
Os jovens trabalhadores e as suas mochilas que alpinam.
O timbre resiliente e cansado da ponte que todos os dias sustenta os stresses e afazeres da gente.
É dia dos deveres laborais, académicos, procrastinar. Dia de viver, dia de morrer, viver para mais um dia, nascer para o mundo, viajar em nós ou partir para nunca mais voltar."
Raquel Ferraz (Maio de 2017)
quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
Riso
Estou com um riso,
Tenho um sorriso na cara,
Retrato uma absurda alegria na face…
E como é bom rir,
Rir quando a vida não nos sorri a nós.
Rir de tudo e de nada!
Rir de mim mesmo, mas rir a sério,
Um riso alto,
Mais alto que os deuses, que qualquer Deus!
É esta vida,
Este riso estúpido e cansado,
Esta gargalhada despropositada,
Da descrença da esperança,
Quando falha a energia,
Quando morre a esperança…
Alegria…
Já não há silêncio!
Há a loucura de tristeza!
Há a absurdez da gargalhada desistente,
Desistente e libertadora!
Não há sentido senão rir de tudo o que nos faz parvos,
Porque tudo isso é, em si, parvo!
É toda uma existência na parvoíce,
Esta Humanidade parva de que somos parte…
Há, portanto, que rir!
Tenho um sorriso na cara,
Retrato uma absurda alegria na face…
E como é bom rir,
Rir quando a vida não nos sorri a nós.
Rir de tudo e de nada!
Rir de mim mesmo, mas rir a sério,
Um riso alto,
Mais alto que os deuses, que qualquer Deus!
É esta vida,
Este riso estúpido e cansado,
Esta gargalhada despropositada,
Da descrença da esperança,
Quando falha a energia,
Quando morre a esperança…
Alegria…
Já não há silêncio!
Há a loucura de tristeza!
Há a absurdez da gargalhada desistente,
Desistente e libertadora!
Não há sentido senão rir de tudo o que nos faz parvos,
Porque tudo isso é, em si, parvo!
É toda uma existência na parvoíce,
Esta Humanidade parva de que somos parte…
Há, portanto, que rir!
segunda-feira, 4 de dezembro de 2017
Estátua - Revisto
No centro do mundo,
Lá está ela, erguida orgulhosamente,
Uma estátua que se levanta, como se nada fosse,
Um monumento que fica lá,
Para que se venere,
Para que todos olhem, e assim olham.
Olham para o seu Deus,
Aquele maravilhoso criador de tudo o que tem virtude e que se vê no mundo.
Sim, assim o tratam.
Tratam aquele divino ser,
Sim... Assim, como se divino fosse,
Não é divino, apenas o veneram como se o fosse,
Porque acham que tem talento?
Porque não conseguem fazer o mesmo que ele?
Porque, talvez, têm uma ligação pessoal às escrituras...
"Porquê?" ficará uma pergunta não respondida,
Mas não interessa mesmo a resposta.
Este apoio impercetível da figura de um Deus...
De uma figura divina...
Como, se não é divina?
Não passa de um homem miserável,
Tão miserável...
Este é um homem mais miserável
Que outros que já dizer viver uma vida miserável...
Mas porque o apoiam?
Numa multidão, longe de tudo,
Tudo vejo, aquilo que passa,
Passa o tempo, havendo sempre lá pessoas,
A venerar e a rezar à estátua,
O monumento heroico de um homem que já nem é humano.
Pavoneiam a criação dele sem que seja percebida.
É bonito, isto que é trazido!
É lindo o mundo criado, mas miserável o homem!
Homem este que sabe apenas uma coisa,
Que não percebe o gosto e inspiração,
Talvez porque não gosta de si mesmo, nem gosta do gosto de outros em si mesmo...
Há um desfile permanente,
Existe um festejo eterno desta figura,
Está em decurso este evento que não percebo de todo...
Temos, no presente, esta celebração do divino,
Mas o divino não percebe esta valorização,
Nem eu percebo, afastando-me da fama por isso.
A figura da estátua é repugnante, como tudo o que por ela se faz
Olhando para esta demonstração do exagero da Humanidade, não posso hesitar arrepender-me de tudo aquilo que fiz, ao longo da vida, que fez com que tudo fosse feito em minha honra... Porque fui eu trabalhar para isto, se iriam apenas viver em volta da minha figura? É por isso que me escondo, pensando eles que morri. Olhem que parvos que são, a fingir que sou o Deus deles, quando nada fui durante a vida...
Lá está ela, erguida orgulhosamente,
Uma estátua que se levanta, como se nada fosse,
Um monumento que fica lá,
Para que se venere,
Para que todos olhem, e assim olham.
Olham para o seu Deus,
Aquele maravilhoso criador de tudo o que tem virtude e que se vê no mundo.
Sim, assim o tratam.
Tratam aquele divino ser,
Sim... Assim, como se divino fosse,
Não é divino, apenas o veneram como se o fosse,
Porque acham que tem talento?
Porque não conseguem fazer o mesmo que ele?
Porque, talvez, têm uma ligação pessoal às escrituras...
"Porquê?" ficará uma pergunta não respondida,
Mas não interessa mesmo a resposta.
Este apoio impercetível da figura de um Deus...
De uma figura divina...
Como, se não é divina?
Não passa de um homem miserável,
Tão miserável...
Este é um homem mais miserável
Que outros que já dizer viver uma vida miserável...
Mas porque o apoiam?
Numa multidão, longe de tudo,
Tudo vejo, aquilo que passa,
Passa o tempo, havendo sempre lá pessoas,
A venerar e a rezar à estátua,
O monumento heroico de um homem que já nem é humano.
Pavoneiam a criação dele sem que seja percebida.
É bonito, isto que é trazido!
É lindo o mundo criado, mas miserável o homem!
Homem este que sabe apenas uma coisa,
Que não percebe o gosto e inspiração,
Talvez porque não gosta de si mesmo, nem gosta do gosto de outros em si mesmo...
Há um desfile permanente,
Existe um festejo eterno desta figura,
Está em decurso este evento que não percebo de todo...
Temos, no presente, esta celebração do divino,
Mas o divino não percebe esta valorização,
Nem eu percebo, afastando-me da fama por isso.
A figura da estátua é repugnante, como tudo o que por ela se faz
Olhando para esta demonstração do exagero da Humanidade, não posso hesitar arrepender-me de tudo aquilo que fiz, ao longo da vida, que fez com que tudo fosse feito em minha honra... Porque fui eu trabalhar para isto, se iriam apenas viver em volta da minha figura? É por isso que me escondo, pensando eles que morri. Olhem que parvos que são, a fingir que sou o Deus deles, quando nada fui durante a vida...
Diálogo
Ouvi falar de vocês,
As duas ou três,
Pessoas criadas,
Poetisas, personalidades imaginadas…
Ou serão apenas escritores?
Pequenos nomes para jovens criadores?
Interessaram-me,
Os vossos nomes chamaram-me
Com o conceito da criação
De uma maior personalidade,
Que feita a esta idade
Demonstra algo… Será diversão?
As duas ou três,
Pessoas criadas,
Poetisas, personalidades imaginadas…
Ou serão apenas escritores?
Pequenos nomes para jovens criadores?
Interessaram-me,
Os vossos nomes chamaram-me
Com o conceito da criação
De uma maior personalidade,
Que feita a esta idade
Demonstra algo… Será diversão?
S.I.
A sério?
Uma destas rimas?
Quero saber porque o fazes…
Sabes bem que são pessoas que não existem,
Que propósito sádico tens tu, ao promover o sofrimento,
Sofrimento e mais sofrimento de personalidades que não são reais?
Uma destas rimas?
Quero saber porque o fazes…
Sabes bem que são pessoas que não existem,
Que propósito sádico tens tu, ao promover o sofrimento,
Sofrimento e mais sofrimento de personalidades que não são reais?
Se te importasses… Não!
Se todos vocês se importassem,
Deixavam-nos morrer! Olha para nós, a pensar que existimos na verdade!
Deixa de nos incarnar,
Deixa de nos dar nomes…
Escreve por ti, e não existas como mais ninguém…
Se todos vocês se importassem,
Deixavam-nos morrer! Olha para nós, a pensar que existimos na verdade!
Deixa de nos incarnar,
Deixa de nos dar nomes…
Escreve por ti, e não existas como mais ninguém…
A.S.- Porque choras, Inglês? Gritas em choro e mais choro
que não vai a lado nenhum. Lamúrias e mais lamúrias são tudo o que oiço de ti.
Lamúrias em vão, porque choras por algo que não controlaste? Podes viver a
vida. Podes aproveitar tudo o que te oferece, desde que não penses nessas
coisas.
S.I.
Já nos conhecemos?
Serás novo aqui?
Não eras tu que não pensava,
O impossível sósia do Pessoa, aquela inspiração especial?
Que fantástico, estares aqui!
Que palavra é que me falta agora? Ah…
Que merda, essa maneira de viver,
Tão concreto, tão lúcido, tão inocente…
Se apenas soubesses…
Serás novo aqui?
Não eras tu que não pensava,
O impossível sósia do Pessoa, aquela inspiração especial?
Que fantástico, estares aqui!
Que palavra é que me falta agora? Ah…
Que merda, essa maneira de viver,
Tão concreto, tão lúcido, tão inocente…
Se apenas soubesses…
Choro a existência, Sampaio!
É isso que há para ser lamentado!
É tudo o que há para ser chorado, mesmo se em vão, há razão para ser chorado…
É isso que há para ser lamentado!
É tudo o que há para ser chorado, mesmo se em vão, há razão para ser chorado…
A.S.
Há só razão para ser vivido, meu amigo,
Não tens de chorar seja o que for,
Choras só porque queres
E porque pensas.
É esse pensamento que te trai,
Como é a morte de toda a felicidade.
Se viveres uma vida,
Que seja a apenas viver, farás tudo menos lamuriar.
Não tens de chorar seja o que for,
Choras só porque queres
E porque pensas.
É esse pensamento que te trai,
Como é a morte de toda a felicidade.
Se viveres uma vida,
Que seja a apenas viver, farás tudo menos lamuriar.
S.I.
Não vou lamuriar,
Não vou pensar, nem escrever?
Uma boa solução, essa…
Gostava de gostar dela,
Adorava apoiar a tua ideia, mas acontece…
Acontece, porque foi a assim criada a lógica…
Acontece que não faz sentido!
Não vou lamuriar,
Não vou pensar, nem escrever?
Uma boa solução, essa…
Gostava de gostar dela,
Adorava apoiar a tua ideia, mas acontece…
Acontece, porque foi a assim criada a lógica…
Acontece que não faz sentido!
O que me vendes é um remédio santo,
Ou é isso que pensas…
Ou é isso que sabes, já que não gostas de pensar…
Mas a verdade é outra,
Destrói o físico,
Destrói o que existe concreto,
E ensino-te a ver o que há de verdadeiro no meu mundo.
Ou é isso que pensas…
Ou é isso que sabes, já que não gostas de pensar…
Mas a verdade é outra,
Destrói o físico,
Destrói o que existe concreto,
E ensino-te a ver o que há de verdadeiro no meu mundo.
Há sentimentos puros!
Há puros sentimentos, que são expressos,
O que me faz a mim é esta merda…
O que te faz a ti é o que está fora de ti.
Não pensas, é?
Se não pensas, não te podes conhecer, Artur,
Ou ficamos pela adoração da natureza e da brutalidade?
Que lindo o pacóvio que só se define pelo que vê…
Há puros sentimentos, que são expressos,
O que me faz a mim é esta merda…
O que te faz a ti é o que está fora de ti.
Não pensas, é?
Se não pensas, não te podes conhecer, Artur,
Ou ficamos pela adoração da natureza e da brutalidade?
Que lindo o pacóvio que só se define pelo que vê…
Circo
Não há coerência na existência de linhas literárias que se
escrevem em documentos que nunca serão reais. Não! Nunca serão literatura…
Lidos apenas por mim e, quem saberá, por Deus, estes pedaços surreais de treta
pretensiosa do núcleo de que sou não são grande coisa, porque eu próprio não
sou grande coisa.
“Ah, aqui vamos nós, mais uma vez! Preparem-se, populações!
Aproximem-se, senhoras e senhores, que chegou o circo à cidade. Temos
espetáculos: 24 horas por dia de fingido ódio próprio que não esconde nada a
não ser um ego enorme! Um milagre da Natureza, um prodígio que apenas se vê em
todos os outros lados em que se procura! Deixem que o espetáculo comece e
apreciem um homem que se mutila mentalmente, à procura de conter uma autoestima
verdadeira!” (Entrada livre)
Estou a começar a ficar farto de escrever outra vez…
“Os palhaços assassinos chegam à cidade! E não, desta vez
não há esperança para mortos bobos da corte desempregados! São inúteis, as
criaturas, mas venham ver, as infernais caricaturas! Desde figuras públicas,
uma paródia mal informada, a tudo o que está mal com a humanidade! Isto apenas
feito pela própria humanidade! O espetáculo destrutivo fica só mais rico com o
tempo! Assim é o mundo! Entrem, entrem!”
Mas quem manda no circo? Não há resposta, ninguém sabe
seriamente, só os que vivem dele sabem a verdade, e mesmo nem todos o sabem.
Alguns vivem das mentiras sobre quem conduz as aberrações de aldeia em aldeia…
“Vamos, vamos! Continuem! Serão salvos, meus amigos! Há uma
razão, cá dentro! Há milagres, magia, mas mágoas? Meu homem, jamais! Sejam quem
forem, acreditem que encontram tudo neste circo! Sejam colhidos pela magia do
impossível, que não vos rouba nada!”
Como ovelhas, eles entram…. Estão fascinados… Porque razão
não o estariam? Foi-lhes prometida a eternidade, longo tempo em que apenas são,
e são felizes. Não há que pensar…
“Não é preciso pensar, não precisam de saber mais! Entrem,
meus caros! Vamos, vamos! Que chova a atenção a nós! Nós? Sim, nós! Somos os
melhores no que fazemos! Adorados e galardoados! Entrem no sonho das vossas
vidas! O circo chegou à cidade! É tempo de festa, venham ver-nos! Um espetáculo
irresistível de exagero e fantasia!”
O resto fica de fora do circo… Desempregados que não lá trabalham, ou
pessoas sem paciência, que se aperceberam da realidade, do que, na verdade, é
este circo. O resto fica de fora, mas já todos fomos, felizes e enganados por
esta ilusão.
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