segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Estátua - Revisto

No centro do mundo,
Lá está ela, erguida orgulhosamente,
Uma estátua que se levanta, como se nada fosse,
Um monumento que fica lá,
Para que se venere,
Para que todos olhem, e assim olham.
Olham para o seu Deus,
Aquele maravilhoso criador de tudo o que tem virtude e que se vê no mundo.

Sim, assim o tratam.
Tratam aquele divino ser,
Sim...  Assim, como se divino fosse,
Não é divino, apenas o veneram como se o fosse,
Porque acham que tem talento?
Porque não conseguem fazer o mesmo que ele?
Porque, talvez, têm uma ligação pessoal às escrituras...
"Porquê?" ficará uma pergunta não respondida,
Mas não interessa mesmo a resposta.

Este apoio impercetível da figura de um Deus...
De uma figura divina...
Como, se não é divina?
Não passa de um homem miserável,
Tão miserável...
Este é um homem mais miserável
Que outros que já dizer viver uma vida miserável...
Mas porque o apoiam?

Numa multidão, longe de tudo,
Tudo vejo, aquilo que passa,
Passa o tempo, havendo sempre lá pessoas,
A venerar e a rezar à estátua,
O monumento heroico de um homem que já nem é humano.
Pavoneiam a criação dele sem que seja percebida.
É bonito, isto que é trazido!
É lindo o mundo criado, mas miserável o homem!
Homem este que sabe apenas uma coisa,
Que não percebe o gosto e inspiração,
Talvez porque não gosta de si mesmo, nem gosta do gosto de outros em si mesmo...

Há um desfile permanente,
Existe um festejo eterno desta figura,
Está em decurso este evento que não percebo de todo...
Temos, no presente, esta celebração do divino,
Mas o divino não percebe esta valorização,
Nem eu percebo, afastando-me da fama por isso.
A figura da estátua é repugnante, como tudo o que por ela se faz

Olhando para esta demonstração do exagero da Humanidade, não posso hesitar arrepender-me de tudo aquilo que fiz, ao longo da vida, que fez com que tudo fosse feito em minha honra... Porque fui eu trabalhar para isto, se iriam apenas viver em volta da minha figura? É por isso que me escondo, pensando eles que morri. Olhem que parvos que são, a fingir que sou o Deus deles, quando nada fui durante a vida...

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