quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

"Morte e Insatisfação"


I

Absorto,
calmo e episódico.
É um viver demente
e aborrecido
com a saudade
do que foi já vivido,
de viver diariamente…
É o desejo irreal
pelo que não é natural,
por aquilo que é
espasmódico:
o que não deixa tranquilo,
mas põe-me outra vez de pé,
pois estou morto…

II 

Espírito morre!
Pinta-se o mundo de cinzento,
por plena falta de talento
o poeta corre!
Galopa, fugindo
de todo o seu tormento.

Está farto!
Não quer viver fingindo,
das paredes de seu quarto
- agora de cor cinzenta,
pelo que o espírito aguenta -,
que passa a vida apenas rindo.

Escreve!
Cria-se e desfaz-se,
porque assim se atreve,
este fanático de viver.
Há de assim morrer,
mas satisfaz-se?

Não!
Porque sua alma
não está leve.
Uma confusão pesada,
pela mágoa arrastada…
Ah, o desejo pela calma
numa jovem vida breve!