segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Diálogo

Ouvi falar de vocês,
As duas ou três,
Pessoas criadas,
Poetisas, personalidades imaginadas…
Ou serão apenas escritores?
Pequenos nomes para jovens criadores?

Interessaram-me,
Os vossos nomes chamaram-me
Com o conceito da criação
De uma maior personalidade,
Que feita a esta idade
Demonstra algo… Será diversão?

S.I.
A sério?
Uma destas rimas?
Quero saber porque o fazes…
Sabes bem que são pessoas que não existem,
Que propósito sádico tens tu, ao promover o sofrimento,
Sofrimento e mais sofrimento de personalidades que não são reais?
Se te importasses… Não!
Se todos vocês se importassem,
Deixavam-nos morrer! Olha para nós, a pensar que existimos na verdade!
Deixa de nos incarnar,
Deixa de nos dar nomes…
Escreve por ti, e não existas como mais ninguém…

A.S.- Porque choras, Inglês? Gritas em choro e mais choro que não vai a lado nenhum. Lamúrias e mais lamúrias são tudo o que oiço de ti. Lamúrias em vão, porque choras por algo que não controlaste? Podes viver a vida. Podes aproveitar tudo o que te oferece, desde que não penses nessas coisas.

S.I.
Já nos conhecemos?
Serás novo aqui?
Não eras tu que não pensava,
O impossível sósia do Pessoa, aquela inspiração especial?
Que fantástico, estares aqui!
Que palavra é que me falta agora? Ah…
Que merda, essa maneira de viver,
Tão concreto, tão lúcido, tão inocente…
Se apenas soubesses…
Choro a existência, Sampaio!
É isso que há para ser lamentado!
É tudo o que há para ser chorado, mesmo se em vão, há razão para ser chorado…

A.S.
Há só razão para ser vivido, meu amigo,
Não tens de chorar seja o que for,
Choras só porque queres
E porque pensas.
É esse pensamento que te trai,
Como é a morte de toda a felicidade.
Se viveres uma vida,
Que seja a apenas viver, farás tudo menos lamuriar.

S.I.
Não vou lamuriar,
Não vou pensar, nem escrever?
Uma boa solução, essa…
Gostava de gostar dela,
Adorava apoiar a tua ideia, mas acontece…
Acontece, porque foi a assim criada a lógica…
Acontece que não faz sentido!
O que me vendes é um remédio santo,
Ou é isso que pensas…
Ou é isso que sabes, já que não gostas de pensar…
Mas a verdade é outra,
Destrói o físico,
Destrói o que existe concreto,
E ensino-te a ver o que há de verdadeiro no meu mundo.

Há sentimentos puros!
Há puros sentimentos, que são expressos,
O que me faz a mim é esta merda…
O que te faz a ti é o que está fora de ti.
Não pensas, é?
Se não pensas, não te podes conhecer, Artur,
Ou ficamos pela adoração da natureza e da brutalidade?
Que lindo o pacóvio que só se define pelo que vê…

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