I
Olho para os meus óculos e suspiro,
mas não há poesia que acalme a minha ânsia!
Tomo as letras como sentimento,
procuro criar essa poesia,
usar palavras para sentir tudo,
porque não o sensacionismo?
II
Desfaço-me em poemas,
devo fazer ódio e alegria nos versos,
mas primeiro...
Primeiro...
Primeiro incita-se a violência...
Para que me desfaça,
terá de haver violência,
maior que aquela entendida num suspiro
mirando um par de óculos...
Violência a sério,
violência à bruta e verdadeira!
III
Corro pelas pedras das ruas
e salto pelo alcatrão das estradas
que acompanham as grandes avenidas.
Nada disto é verdade,
mas é sentido como real.
Tropeço com a rapidez do meu passo,
vindo a rebolar
pelo chão que me vem a rasgar,
esfolar, ferir, mutilar,
até que possa morrer-me totalmente a alma.
Há ódio próprio em tanta chacina,
sendo que me odeio à medida que sou desfeito.
IV
Ali fico,
massacrado como a inocência de uma virgem
que descobre a liberdade de ser cruel...
Ali deitado,
entre carros que me atropelam
e as pessoas que nem me olham,
exaustas do que é moderno...
Totalmente desfeito de mim,
poderei fazer do que sou qualquer um,
provando-se a dor de morrer uma dádiva
de um sensacionismo hiperbólico.
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