É tempo de deixar
que seja o mundo dominado pelas gentes
que nada mais querem que pensar...
Que se partam nas alamedas os nossos dentes!
É nada mais que uma rutura
de uma imensa intensidade
aquilo que proponho na cultura...
Que se tragam agora dor e vivacidade!
É uma vaga pútrida mania,
esta masoquista e brutal existência,
que quero que me esmurre com as pedras da agonia...
Que se revele na dor a nossa essência!
É este o lugar para que se faça
uma dolorosa mudança por meio de mutilações,
que atraem a alma como a luz atrai a traça...
Que se encham as ruas de exibições!
Chamo o presente turbulento!
Evoco mais nada que a minha ira!
Gritando, abandonei a lira,
assumindo um futuro bruto e sangrento!
Mas que sentido faz, não ser assim,
derrotado e espancado pelas ruas?
Neste inerente masoquismo que há em mim,
correm-me pela alma sensações nuas!
(A.O.)
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