‘Foge!’
Falo assim comigo, num grito agonizante que não cessa.
Assim me ordeno e vou fazendo isso: evadindo aquilo que não quero enfrentar, numa perpétua distração da vida.
Como me persegue tudo o que é horrendo, continuo a correr, sempre meros passos à sua frente.
Sinto, por vezes, o toque macabro de algo mais, que pode estar a correr mais rápido que tudo o resto.
Porém, passo a vida a correr, cavalgando apenas na minha ansiedade, cavalo sem nome ou razão de existir.
Falo assim comigo, num grito agonizante que não cessa.
Assim me ordeno e vou fazendo isso: evadindo aquilo que não quero enfrentar, numa perpétua distração da vida.
Como me persegue tudo o que é horrendo, continuo a correr, sempre meros passos à sua frente.
Sinto, por vezes, o toque macabro de algo mais, que pode estar a correr mais rápido que tudo o resto.
Porém, passo a vida a correr, cavalgando apenas na minha ansiedade, cavalo sem nome ou razão de existir.
Desmontar, agora?
Parar a correria parece apenas uma forma de deixar com que me apanhem vida e morte.
Fazer frente a este violento bombardeamento de mim é despropositado e mortal…
Nada faria senão ceder perante o fogo! E que se daria dentro deste fogo? O meu fim mortal, por tudo o que sou?
Não saio das costas deste cavalo gritante e frenético porque ao seu frenesim me habituei, simplesmente.
É familiar, a este ponto, não fazer nada para tentar defender-me, pensando que me afundaria mais se o fizesse.
Pondero o confronto das ondas…
O pensamento de tais águas traz-me o pânico do afogamento, vindo então a sufocar-me…
Fico, então, à superfície da água, flutuando por uma realidade que me é estranha pela falta de investimento que nela tenho.
As coisas deixam de fazer sentido, porque não posso permitir que o façam…
Significaria deixar de fingir, tirar a máscara, sair do cavalo e levar com tudo aquilo de que fujo há meses…
Orgulho-me de nada, mas menos sofro pela ideia repetida de falta de confronto que arrasto pelo chão ao longo destas palavras….
Merda!
Esta amostra de poema não faz nada para arte, apenas anda às voltas nos meus pensamentos, pondo em palavras o que me perturba!
Este velho cavalo, num pânico constante, tem apenas energia restante para fugir...
Usando palavras mal arranjadas, descrevo um animal inexistente, que me carrega, com membros cansados…
As linhas escritas esta noite fazem tanto sentido como a própria vida: algo enfeitado com pouca beleza que não é nada mais que vazio quando melhor examinado…
Contudo, continuo a escrever, sem saber a razão pela qual o faço, frases que me atacam lentamente.
Morrerá o cavalo, eventualmente…
Não há otimismo em prever o que se dará quando for destruído pelo que me assombra, mas poderá haver para o que vem depois.
Que se chame a isto uma ilusão poética ou apenas vaga estupidez, mas há esperança em mim de que o cavalo possa descansar.
Quero apenas permitir que o animal repouse e renascer com a força de quem se enfrentou, voltando do desastre.
Será possível?
Deixem-me acreditar que sim, esperando a morte do cavalo…
(Uma mentalidade aleatória, resultante num poema de merda)
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