sexta-feira, 3 de agosto de 2018

"Inferno"

É o Sol quem me ilumina como anjo caído,
puxando-me
por tudo aquilo que já foi perdido…
Mostrando-me
quem pensava eu ter morrido.
Apenas pelas suas palavras vou vendo
quem acabaram estes humanos sendo…

Vou sendo guiado por um poeta,
neste inferno
depois das praias do meu ser…
Ah, como é fanático, o profeta,
filósofo eterno!
Veio inspirar-me a escrever!

No calor de todo o meu tédio, vou descendo até aos confins do significado, acompanhado por quem tem, melhor que eu, qualquer dom de palavras e iluminado pela Estrela da Manhã, sem a qual nada vejo…

Que encontro na profundidade que não sejam artifícios de espetáculo, rodeando a miséria numa boémia meio vazia, que tão bem reverenciada por quem me guia que este, que sofre tédio também, encontra nela cura?

Questiono-me, mas vejo apenas isso, mesmo tendo uma já morta esperança de que mais se consiga encontrar: uma linha de importância entre tanta irritação e fútil festa, que dê significado a esta feitiçaria tão bela e moribunda!

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