Numa dita alameda de pequena cidade, um cafezinho é mergulhado em
chamas, enquanto olho atentamente para uma fotografia que procuro esquecer.
Mais nada faço, apenas fitar a fotografia e desejar que o estabelecimento
pudesse mais depressa arder da minha memória que do papel que o representa –
uma antiquada demonstração do futurismo, esta fotografia.
Ossos de província queimam e com eles o resto das recordações que
antes fiz em tão pútrido e seco lugar. São os corpos efémeros dos que não duram
que vão sendo engolidos pelas chamas de isqueiro que me emprestou um sujeito
misterioso, que me disse que queimasse o passado – bom homem, pareço concordar
com ele, mesmo dizendo ele que não tem a disponibilidade para falar – e não é
com pena que queimam, é com esperança num futuro próximo, porque é apenas isso
que poderei querer agora ter.
Que expluda também o café real, não só este figurado! Aprendam eles a ser melhor que o meu passado simples, sem mente que se lhe diga ou cultura de que se fale! Ganhem forças e venham para o mundo real, aqueles que escolhem ficar presos à pequenez a que parecem estar condenados, talvez com medo de qualquer coisa mais que si, quem sabe? Não hei de o saber eu, mas grito na mesma pela sua remodelação de pensamento e por aquilo que é a minha pena deles todos… A compaixão que sinto por estes meus antigos cocidadãos, agora afogados na sua mediocridade – que é voluntária para alguns, vá-se lá saber porquê – é o medo que se fiquem por aí e que por isso se contentem, como fracos apologistas da aceitação de tudo o que lhes aparece à frente…
“Isto não é forma de viver!” grita-me a alma,
enquanto as cinzas do tal café me desaparecem das mãos, com elas indo-se também
todas as memórias que lá tive, como simples areia de uma praia, que muda
eternamente nos ventos fortesQue expluda também o café real, não só este figurado! Aprendam eles a ser melhor que o meu passado simples, sem mente que se lhe diga ou cultura de que se fale! Ganhem forças e venham para o mundo real, aqueles que escolhem ficar presos à pequenez a que parecem estar condenados, talvez com medo de qualquer coisa mais que si, quem sabe? Não hei de o saber eu, mas grito na mesma pela sua remodelação de pensamento e por aquilo que é a minha pena deles todos… A compaixão que sinto por estes meus antigos cocidadãos, agora afogados na sua mediocridade – que é voluntária para alguns, vá-se lá saber porquê – é o medo que se fiquem por aí e que por isso se contentem, como fracos apologistas da aceitação de tudo o que lhes aparece à frente…
(A.O.)
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