sexta-feira, 1 de junho de 2018

Pavoneando sobre o Universo - I


Vejo o universo inteiro no regresso cansado. Estou num retorno que é apenas simples retorno, que é apenas temporário, por mais permanente que possa ser. É temporário porque é tudo temporário, como aquilo que posso ver, quando me imagino disposto na linha do tempo que ainda tenho para cá estar, seja nesta vida ou neste lugar no qual me encontro de regresso, com fraqueza de alma e estupidez das minhas emoções…

Movendo o meu corpo acima do chão,
vou balançando e vejo todo o universo…
Caído na realidade de um corpo astral,
motivo-me a mim mesmo a ver para lá desta Terra…
Recuperei-a!
A minha visão inteira de um plano astronómico…. Recuperei-a!

Tenho-a de volta, por instantes, e por esse tempo, ela assombra-me como se fosse algo razoável, o ter medo do infinito e daquilo que nunca vamos conseguir controlar. É como se fizesse sentido, o susto da pequenez humana que por mim é sentida naquele momento, ao confrontar-me com a mortalidade das estrelas, com a sua distância e com tudo mais que o céu noturno me mostra.

A miséria cósmica
das luzes projetadas na tela do céu da noite,
que me fazem passar por um parvo com megalomania,
que fazem a Humanidade inteira passar por um parvo com megalomania,
porque revelam a nossa insignificância!
É isso que tenho de volta,
depois de o perder há tempos atrás,
quando imaginava universos ao olhar para um céu pouco iluminado…

O sentido de nada fazer sentido…
A vertigem de olhar para o Definitivo…
O terror da escala de todo este monstro que nos rodeia nos astros…
O medo da pequenez humanitária…
O pavor da Insignificância!

Ah, como tive saudades de me sentir afogado na liberdade que a grandeza universal me dá, e da febre que com ela vem, de saber que não há limites às desinibições da minha pequena estupidez! Sufoco-me nesta escala toda e aceito que o universo pouco se importa, libertando-me de deuses, santos, astros, destinos e banalidades comuns, pois isso para mim pouco me importa! Agarro com os dentes as oportunidades de tudo aquilo que existe, que não tem a mais pequena demonstração de carência pela minha existência, pois tão pouco terei eu qualquer carência pela sua, e vivo! Por momentos, consigo estar vivo…

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