terça-feira, 10 de abril de 2018

Universo


Nas quatro paredes que contêm um universo,
sinto uma extensão do meu universo,
sem sentir a maior grandeza de um colossal cosmos,
ou pensar numa monstruosidade espacial exterior…
Não consigo pensar nisto!
Não posso encarar a escala de tudo!
Pensar na minha própria inexistência cósmica
é impossível da pequenez do meu mundo privado…

Tudo o que existe
são as minhas ideias de tudo aquilo que existe…
Tudo o que vive no universo
vive dentro da construção do meu próprio pensamento!
Preso fora da realização de tudo o resto,
a minha mente consegue criar tudo dentro desta cela,
destas paredes que apresentam como novos astros!
O egoísmo mental de se pensar nisto…
A megalomania de pensar assim…

A imaginação limita o cosmos,
reduzindo a realidade para a falta de propósito,
que se vive diariamente sem o mundo exterior…
Sem o mundo exterior,
criando tudo com a mente…
A poderosa mente egoísta que se acha divina!
A convencida estupidez de um novo nascimento cósmico,
que é um milagre existencial de um solitário poeta!

Grito, poeta cósmico do pessimismo,
preso na cela mental,
de quatro paredes que me fecham na significância,
ilusória,
de criar universos despropositados!
Grito pela criação de novas realidades gigantes,
novas estrelas e astros encerrados numa realidade mais pequena,
sem a realização de mim,
do quão pequeno é este novo universo!
Grito por tudo o que existe aqui,
e apenas por aquilo que existe aqui,
encerrado neste espaço pequeno,
pela simples razão que mais nada existe!
Pelo estúpido motivo que não há mais que o que me fecha neste espaço!

Derroto-me no terror desta subjetividade,
que me faz esquecer,
mais uma vez, a escala…
Fico imóvel, em meditação desta ordem astronómica,
e visualizo uma dança anárquica,
que tem tanta insignificância como beleza…
Manifesta-se tudo na vida, e grito por uma maior criação!

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